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Caderno Bichos

Animais de estimação dentro de casa
Essa é uma das cláusulas importantes do contrato de aluguel no Japão
(Texto: Lucila Kose/IPC Japan)

Viver em apartamentos pequenos já não é problema para os brasileiros que moram no Japão. Driblar as cláusulas do contrato imobiliário para ter um animal de estimação também não. Apesar de a maioria dos apartamentos não permitir animais como cachorros e gatos, quem tem um garante que nunca teve problemas por isso.

Tatiana Midori Falcão Ishii, 43, de Ueda (Nagano), é uma delas. Há dois anos, ela possui um cachorrinho da raça shih tzu e mora em um conjunto habitacional que não permite animais de estimação. “Vi que os demais moradores tinham animais e resolvi comprar um cãozinho. Por ser pequeno e silencioso, ninguém nunca reclamou”, contou.

Ela sempre sai para passear com o cão e não deixa de respeitar as leis. “Levo um saco para recolher as fezes. E procuro fazer com que ele não crie problemas à noite. Meus vizinhos são brasileiros, e todos possuem animal de estimação”, disse Tatiana.

Já H.M., 21, de Tsu (Mie), foi mais ousado. Morador de um conjunto habitacional, ele tem um cão da raça bóxer. “As pessoas se assustam, mas ele é supertranqüilo. Nunca atacou ninguém nem causou problemas”, garantiu. Mesmo sabendo da proibição, ele não pensa em se desfazer do animal. “Se um dia alguém reclamar e eu tiver que ir embora, pego meu cão e procuro outro lugar para morar. O difícil é que a maioria dos apartamentos no Japão não permite animais”, disse.

Com permissão

Foto: Divulgação

Júnior e seu american cocker: mora em condomínio em Osaka que permite criar animais de grande porte

Diferente dos demais, Carlos Castejon Ramos Júnior, 30, de Osaka (Osaka), procurou por um apartamento que permitisse animais de grande porte. Ele tem um cão da raça american cocker e procura fazer tudo dentro das normas do condomínio. “Aqui não tenho problema. Levo o meu cão para passear em lugares permitidos e procuro respeitar os vizinhos”, afirmou.

Júnior ainda resolveu adestrar o seu cão. “O Alfredo tem apenas um ano, mas já sabe que deve fazer as necessidades fora de casa, não morder os móveis e tudo mais”, disse.

No geral, as imobiliárias não permitem animais como gatos e cachorros. O estrago do apartamento e o barulho, que pode incomodar os vizinhos, são os principais motivos. “Essa é uma das cláusulas do contrato de locação. O desrespeito pode levar à sua rescisão”, explica Seiji Fujita, da imobiliária Daya Plaza, de Oizumi (Gunma). Em casas, segundo Fujita, alguns proprietários permitem que o locatário possua animais de grande porte.

 
Como funciona no Japão
:: Registro na prefeitura
Cães devem ser registrados na prefeitura até um mês depois da sua aquisição. Somente podem ser registrados animais que tenham mais de 90 dias. Antes disso, o dono deve aguardar e, depois, ele tem até um mês para registrar o animal. Para isso, ele deve preencher um formulário com dados sobre o cão e pagar a taxa de ¥ 3 mil. Será emitida, então, uma medalhinha (kansatsu) para o animal usar na coleira. Há veterinários que fazem o registro.

:: Vacina
Todos os anos, entre abril e junho, é feita a campanha de vacinação contra raiva. A aplicação é obrigatória para cães, que devem ser vacinados ao menos uma vez por ano. Em diversos pontos, há postos de vacinação coletiva. A lista dos postos é publicada em informativos ou no site das prefeituras. Há veterinários que, além do registro, também aplicam a vacina, que custa cerca de ¥ 3.500 (inclui vacina e emissão de comprovante de aplicação). No caso de gatos, não há vacinas obrigatórias, mas é aconselhável que tomem, uma vez por ano, a tríplice, a rinotraqueíte, a calicivirose (calice Vírus Felino – FCV) e a panleucopemia (relacionada a vômito ou perda de apetite).

:: Morte
Em caso de morte de cães já registrados na prefeitura, devem ser entregues os comprovantes de vacinação, a medalhinha de registro do animal e dar entrada no shiboo todoke (registro de morte). Para a retirada do corpo do animal (não necessariamente cães), o dono pode ligar para empresa de limpeza urbana (Clean Center ou Seisoo Jimusho). O serviço não é gratuito. Além de variar de empresa, depende do peso do animal. Existem no Japão empresas que cuidam também da cremação e até das tumbas em cemitérios especiais (doobutsu reien).

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