
Ambos são seres sociáveis e necessitam de afeto
e companheirismo, diz a psicóloga Kátia Aiello
|
(Texto: Erika
Horigoshi/NB | Fotos: Divulgação)
Você
já teve um dia horrível no trabalho e, quando chegou em
casa, seu mau humor foi superado pelos carinhos de seu animal de estimação
que o esperava ansiosamente no portão? Se essa cena nunca
ocorreu em sua vida, fique atento: talvez o que falte para completar o
seu mundo seja o companheirismo oferecido por esses amigos
tão especiais.
Ciência
x Emoção
As pessoas
precisam, de alguma forma, extravasar suas angústias, explica
a psicóloga Kátia Regina Aiello, que acumula a experiência
de mais de 12 anos na observação e na pesquisa do comportamento
animal. Veja bem, isso não significa que os animais sejam uma válvula
de escape para as tensões do dia-a-dia. Vários estudos
comprovam a eficácia do convívio entre animais de estimação
e humanos. Por exemplo, em Melbourne, na Austrália, um órgão
de saúde constatou que quem tem esses animais corre menos riscos
de desenvolver doenças cardíacas, exemplifica Kátia.
De uma evolução
histórica que passou do mais puro instinto predatório até
os dias de hoje, é fácil perceber que a vida humana assumiu
aspectos distintos. Atualmente, o instinto predatório do homem
possui razões tecnologicamente mais arrojadas, como o desenvolvimento
da ciência e o alcance de padrões de vida cada vez mais confortáveis.
Entretanto,
mesmo com tanta modernidade, os animais continuam tendo um papel que vai
além de simples cobaias para experimentos científicos. Os
animais são parte integrante das culturas de todo o mundo, independentemente
do grau de civilização alcançado. Compartilhar o
ambiente com outros animais é algo que tem raízes profundas
na evolução da sociedade humana e foi com base nesse hábito
que se desenvolveu nosso renovado interesse por animais de estimação,
afirma Bruce Fogle, veterinário e fundador da Hearing Dogs for
the Deaf, uma sociedade que adestra cães para pessoas surdas, em
artigo escrito pela jornalista científica italiana Anna Mannucci.
Conforme explica
Kátia Aiello, os benefícios de uma convivência pacífica
entre humanos e seus animais de estimação possui elos profundamente
emocionais e psicológicos: Ambos são seres sociáveis,
necessitam de afeto, de reforço emocional positivo e companheirismo,
argumenta.
|
|
Há
limites para que a convivência com humanos também beneficie
os animais, que podem ser extremamente felizes, se tiverem uma vida satisfatória
ao lado de seu dono.
Uma forma
comum de aliviar as tensões é projetar no outro necessidades
ou comportamentos que são próprios de cada um. Quando temos
um animal de estimação, projetamos neles alguns medos que
o animal pode incorporar e tornar um comportamento indesejável.
Um exemplo são pessoas muito ansiosas, que não permitem
que seu cão brinque com outro cão, pois ele
não gosta de contato, quando na verdade é a própria
pessoa que está evitando esse contato, alerta a psicóloga
Kátia Aiello.
O que pode
ser bom para ambos também pode se transformar em agonia e sofrimento
principalmente para o animal, que tem menos meios de compensar
a dor e a carência emocional de uma rejeição, por
exemplo. Os principais problemas de origem emocional que os animais
podem apresentar são ansiedade de separação [o cão
fica chorando e arranhando a porta quando está sozinho] e agressividade
com pessoas até da própria casa. Geralmente, os cães
salivam muito, têm problemas dermatológicos, bocejam exageradamente
quando estão enfrentando alguma situação nova e urinam
involuntariamente por medo, observa Kátia.
|