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Caderno Bichos

Febre maculosa
Atenção e cuidados de limpeza são fundamentais para prevenção da doença
(Texto: Erika Horigoshi/NB | Fotos: Divulgação)

A febre maculosa tem sido assunto quase constante nos principais noticiários brasileiros. Com os casos iniciais no Rio de Janeiro e a posterior detecção da doença em outras localidades do País, o alarme da vigilância epidemiológica dos Estados começou a tocar, com o objetivo de destacar os perigos e prevenir novos episódios da doença, ou, na pior das hipóteses, uma epidemia.

O que é

”O nome da doença vem das lesões que ela causa na pele, manchas vermelhas, máculas”, explica o veterinário Nelson Eiti Kimura. A febre maculosa é causada pela bactéria Rickettsia rickttsii, presente no carrapato-estrela, geralmente encontrado em animais de grande porte, como capivaras e cavalos, mas também em cachorros, daí o perigo da contaminação doméstica.

Se correta e rapidamente diagnosticada, a febre maculosa é curada e não leva, obrigatoriamente, à morte. Para quem não sabe, casos esparsos da doença costumam ser diagnosticados durante o ano, mas não são assunto de jornal por serem solucionados rapidamente.

Incubação e sintomas

Segundo Kimura, os sintomas clínicos em humanos demoram de 2 a 14 dias após a picada do carrapato para se manifestar. “Há também a necessidade de que o carrapato esteja fixado na pele de seu hospedeiro por algumas horas [entre 4 a 12 horas] para que a bactéria se torne ativa e possa infectá-lo”, esclarece.

Febre, calafrio, dores musculares, articulares e de cabeça são os primeiros sintomas. “Até o final da segunda semana após a contaminação, a temperatura mantém-se em 40 graus. Entre o terceiro e o sexto dias após o começo da febre, aparecem as primeiras manchas na pele, semelhantes às de sarampo, e evoluindo para tamanhos maiores”, descreve o veterinário.

Vale lembrar que a febre maculosa também provoca sintomas nervosos, como agitação, delírio e até o coma. Em sua fase mais grave, ocorrem as complicações circulatórias e pulmonares, portanto, todo o cuidado é pouco. “Se diagnosticada rapidamente, a resposta ao tratamento é rápida; dois a três dias já são suficientes para surgir a melhora do quadro, mas o tratamento deve ser realizado de forma completa”, adverte Kimura.

Cuidados com os animais

O cão que contrai a febre maculosa apresenta sintomas como febre, apatia, falta de apetite, anemia e até manchas na mucosa bucal. Para se ter uma idéia de como a doença pode se espalhar com rapidez, entre os carrapatos, a mãe transmite a bactéria para os filhos pelo ovário, e uma fêmea pode botar mais de mil ovos.

“Os carrapatos podem estar na rua, no quintal, no jardim. Eles têm o hábito de, durante o dia, procurar locais mais altos para ‘esperar’ que os animais passem e esbarrem no local onde estão alojados, permitindo que os carrapatos ‘grudem’ nos hospedeiros”, afirma Nelson Eiti Kimura. E estes locais são variados: vão desde pontas de folhas, arbustos, até paredes e troncos de árvores.

Se você tem cães em casa, fique atento. Durante a noite, os carrapatos buscam abrigo no solo, que deve ser observado sempre que possível, para o controle da limpeza doméstica. “Nos animais, o controle pode ser feito por meio de agentes tópicos aplicados na pele ou no pêlo e alguns tipos de coleiras com inseticida”, orienta o veterinário. Em tempo: até o fechamento desta edição, a Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo já havia detectado 25 casos comprovados de febre maculosa na região.


Serviço
Nelson Eiti Kimura - (11) 3751-9941

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