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Quem
é Sadako Ogata?
Personalidade: Diretora-presidente da Jica (Japan International
Cooperation Agency), altamente engajada na luta pelos direitos dos
refugiados em escala global
Nascimento:
16 de setembro de 1927
Local:
Tóquio
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(Ilustração:
Claudio Seto | Foto: Reprodução)
Proveniente
de uma família de políticos e diplomatas, o sangue de Sadako
Ogata não fugiria à regra. Seus caminhos a levaram por uma
infância vivida em países como Estados Unidos, China, entre
outros. No retorno ao Japão, ela se formou em Literatura Inglesa
pelo Departamento de Letras da Universidade Seishin Joshi. Posteriormente,
Sadako cursou o mestrado na Universidade Georgetown e ainda obteve o doutorado
em Ciências Políticas no curso de pós-graduação
em Berkley, na Universidade da Califórnia.
Engajamento
de geração a geração
É
antiga a história de luta e de engajamento da família de
Sadako pelas causas libertárias. Seu bisavô Inukai Tsuyoshi
(1855 1932) foi morto a tiros na luta contra o nacionalismo. Já
seu avô serviu ao governo como diplomata e também como ministro
dos Negócios Estrangeiros. O pai de Sadako, Toyoichi Nakamura,
também é diplomata; seu marido, por sua vez, é ex-diretor
do Banco do Japão e também trabalhou como vice-primeiro-ministro.
Carreira
de sucesso
Após
trabalhar como ministra das Nações Unidas e como representante
do Japão na Comissão de Direitos Humanos dessa mesma entidade,
Sadako ocupou a cadeira de diretora do Centro de Pesquisas Internacionais
da Universidade de Sophia. De 1990 a 2000, foi membro do Alto Comissariado
das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e apoiou os
refugiados curdos após a Guerra do Golfo, assim como os refugiados
da Guerra da Bósnia e os refugiados do Afeganistão, de Ruanda,
da Guerra de Kosovo, entre outros sobreviventes de diversos conflitos
ao redor do mundo. Desde 2003, Sadako atua como diretora-presidente da
Jica (Japan International Cooperation Agency), órgão governamental
do Japão por meio do qual conduz o trabalho de cooperação
internacional em variados campos.
Capacidade
de atuação
Logo
após o término da Guerra do Golfo, em 1991, o saldo de refugiados
chegava a 1,8 milhão de curdos no norte do Iraque. Cerca de 400
mil deles alcançaram a região montanhosa e inóspita
recoberta de neve na divisa com a Turquia, fugindo das perseguições
do exército iraquiano. No entanto, o governo turco impediu a entrada
desse grupo de refugiados no país.
Pelas definições
da Convenção dos Refugiados, são assim caracterizadas
as pessoas que fogem para fora do país. Sadako considerou o contingente
curdo refugiado a fim de assegurar sua sobrevivência. Assim, reuniu
no local a equipe do Acnur e formou uma área segura de acampamento
para os refugiados curdos, tendo como auxílio a tropa da força
multinacional de países como Estados Unidos e Inglaterra. A habilidade
com que Sadako comandou o salvamento desses refugiados, que, pelas determinações
tradicionais, estariam condenados ao abandono, foi altamente reconhecida
e mundialmente elogiada.
Até
agora, considerava-se que a proteção de refugiados deveria
ser oferecida pelos governos de cada país. Contudo, a partir de
agora, isso deverá ser feito em termos de populações,
com o trabalho das Organizações Não-Governamentais
(ONGs). Hoje, há no mundo cerca de 25 milhões de refugiados,
cuja maioria é composta por mulheres e crianças. Em razão
disso, Sadako promoveu um programa denominado Womens Initiative,
para não apenas fornecer apoio material, mas também promover
o diálogo, o estudo e o desenvolvimento da autonomia feminina por
parte de povos inimigos que têm em comum o desejo de uma nova e
harmônica sociedade.
Em uma sociedade
globalizada, em que a estabilidade de cada nação não
existe sem a paz internacional, é necessário formar a consciência
da coexistência. Para tanto, Sadako defende que é
necessário aprofundar a solidariedade entre pessoas do mundo inteiro.
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