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(Ilustração:
Claudio Seto)
Há
um interessante episódio que se passou entre Akira Kurosawa e Martin
Scorsese, vencedor do prêmio Oscar de melhor diretor deste ano com
o filme Os Infiltrados. Na película Sonhos (1990), há uma
inserção sobre Van Gogh e Kurosawa, achando que Scorsese
seria ideal para esse papel, enviou-lhe uma carta propondo a sua participação.
A resposta afirmativa veio imediatamente, apesar de o intuito não
ter chegado a se concretizar. Contudo, presume-se que Kurosawa seja o
japonês que mais tenha tido esse intercâmbio com diretores
representativos de Hollywood e que tenha influenciado sobremaneira a criação
no cinema.
Kurosawa,
uma personalidade do mundo
O filme Kôya
no Yôjinbô (Yojimbo, o guarda-costas) no qual inclusive
o diretor Clint Eastwood, do novo e comentado trabalho Cartas de Iwo Jima,
atuou quando jovem foi uma regravação do filme Shichi
nin no samurai (Os sete samurais), de Kurosawa. Dizem que os personagens
do filme Star Wars, do diretor George Lucas, também teriam sido
inspirados em Kakushitoride no san akunin (A fortaleza escondida), de
Kurosawa. A cena do filme O Encontro com o Desconhecido, de Stevem Spielberg,
na qual o jipe surge de dentro da tempestade de areia foi inspirado em
Kumonosujô (Trono manchado de sangue). A cena inicial de casamento
no filme God Father, de Francis Ford Coppola, teria imitado a técnica
de Warui Yatsu Hodo Yoku Nemuru (Homem mau dorme bem).
Também
foram próprios de Kurosawa artifícios técnicos, como
filmagem em câmera lenta das cenas de ação ou a utilização
de lentes de aproximação. Dizem que a beleza das imagens
que retratam a natureza, como chuva, vento, etc., encantou os diretores
artísticos do Ocidente, atraindo-os.
Na verdade,
Kurosawa também sofreu influências de diretores ocidentais.
Por exemplo, cenas de corrida disparada de cavalo teriam sido aprendidas
sob orientação pessoal do diretor Johan Ford. Kurosawa ganhou
um Oscar honorário em 1990. Seus trabalhos na fase posterior, como
Kagemusha (Kagemusha, a sombra de um Samurai), Yume (Sonhos), Ran, etc.,
são obras conjuntas com produtores estrangeiros ou capitais estrangeiros.
O elemento humano nas obras de Kurosawa
Tadao Sato,
crítico do cinema, afirma: Akira Kurosawa gostava de figura
humana repleta de vitalidade. Para ele, quando essas pessoas cheias de
vida manifestam-na de forma arrogante, surge o mal; e quando elas próprias
a controlam, surge o bem. Para Kurosawa, uma pessoa sem vitalidade e sem
vigor é como uma pessoa morta desde o princípio. Sua
grande obra Ikiru (viver) retrata um funcionário público
comum que, a partir do momento em que lhe foi sentenciada a morte, repentinamente
desperta para a vida. O ator Mifune Toshiro, um elemento que não
poderia faltar nas obras de Kurosawa, também foi um japonês
com novo e ofuscante perfil, o que ajudou a marcar seu trabalho.
Kurosawa
Akira x Miyazaki Hayao
A maior autoridade
em termos de animê, Miyazaki tinha como sonho, desde os anos 70,
realizar um filme que superasse a maior obra-prima do cinema que retrata
épocas antigas do Japão: Os Sete Samurais (1954). E esse
desafio se concretizou nos anos 90, na forma do animê Mononoke Hime.
Entretanto, a expressão foi em forma de fantasia histórica,
ao invés de um cinema histórico. Atualmente, com a mudança
da visão sobre a história, não há como negar
a estrutura dos romances históricos antigos. O crítico Kanou
Seiji observa que: Em substituição, foi escolhido
um tema grandioso: a saga humana, que, em detrimento da destruição
do meio ambiente, construiu civilizações e grupos comunitários,
lutando entre si por seus direitos e vantagens, bem como a sua luta com
as diversas divindades. Teria Miyazaki se libertado do encanto dos
filmes que retratam épocas passadas construído por Kurozawa?
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