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(Ilustração:
Claudio Seto)
O maestro
Seiji Ozawa, 72, tem grande projeção mundial no campo da
música e encontra-se atualmente em Tóquio, recuperando-se
de um problema de saúde. A notícia de que ele retornaria
à ativa em abril ou maio deste ano como supervisor musical da Ópera
Nacional de Viena tranqüilizou seus fãs.
Ele nasceu
em Shenyang, China, e seu pai era dentista. Desde muito pequeno, teve
aulas de piano. Ainda estudante da escola primária, passou pela
experiência da mudança de país, indo para o Japão.
Dizem que ainda hoje ele visita a casa onde nasceu e cresceu todas as
vezes em que realiza concertos na China. Estudou regência na Faculdade
de Música Toho Gakuen e, após formar-se, investiu suas economias
para ir à França num navio cargueiro, levando sua motoneta
de segunda mão.
Consagração
Ozawa pretendia
participar do 1º Concurso Internacional de Regentes em Besançon
e do Concurso de Regentes de Karajan. Participou e obteve o primeiro lugar
em ambos. Tornou-se discípulo de Herbert von Karajan, participando
como convidado em orquestras européias. Em 1960, venceu também
o Festival de Música de Tanblewood, em Boston, nos Estados Unidos.
Tornou-se discípulo do maestro Leonard Bernstein e teve a sorte
de ter sempre grandes maestros como mestres.
Sua regência
chegou a ser comentada pelos críticos como Uma melodia rica
em espiritualidade, que faz sentir na música clássica ocidental
uma paixão oriental. A música produzida por
ele é delicada e, além disso, faz sentir no seu interior
uma sutil chama de entusiasmo. A maioria dos fãs de Ozawa aguarda
pelo momento de entrar em contato com sua espiritualidade interior.
Boicote
Entre 1961
e 1963, foi convidado para reger a Orquestra Sinfônica da NHK, mas
houve problemas entre o jovem maestro de 26 anos e os membros veteranos
da orquestra, chegando ao ponto de sua apresentação ser
boicotada. A regência desta orquestra da NHK só voltou a
se concretizar em 1995, após 32 anos, por ocasião do concerto
beneficente em prol dos membros da orquestra impossibilitados de exercerem
suas funções musicais devido a problemas físicos.
Dizem que a
Orquestra Sinfônica de Boston, a qual Ozawa regeu por 26 anos, é
uma orquestra que goza das mais estáveis condições
administrativas nos Estados Unidos, e o mérito se deve ao ambiente
cultural de Boston, do renome de Ozawa como maestro, da sua capacidade
de liderança, e da sua personalidade humilde e fraterna. Ele apresenta
não somente músicas clássicas, mas também
músicas modernas. Tem também apresentado amplamente ao mundo
músicas de compositores japoneses, como Toru Takemitsu.
O ouvido aguçado,
o senso rítmico inato e a habilidade no uso da batuta constituem
seus três dons, além de ser muito estudioso. Sua capacidade
de concentração é tamanha que, quando estuda a partitura,
com dois ou três treinos já a memoriza por completo. Mas
ele próprio comenta: Um regente é como um vestibulando
às vésperas do exame. Não é nada fácil.
Ele é questionado sobre os conhecimentos e as habilidades com relação
a cada instrumento musical. Com a grande venda de discos e CDs, hoje ele
é a galinha dos ovos de ouro da Grammophon, da Alemanha,
juntamente com o seu mestre Karajan.
Família
Quando jovem,
andava vestindo uma camisa estilo safári, toda amassada, e um calçado
de lona, falando inglês, alemão, francês, etc., nada
fluentes, e carregando consigo a ética nipônica da fidelidade.
Sua primeira mulher, Kyoko Edo, era pianista e filha do presidente da
Mitsui Imóveis. Sua segunda mulher é a modelo, atriz e designer
Bella Illin Ozawa (N.T.: provável romanização desse
nome). Ele é incomparável no amor dedicado à sua
mulher. Sua filha é ensaísta e seu filho é ator.
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