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(Ilustração:
Claudio Seto)
Shôen,
pseudônimo de Tsuneko, pintora que dedicou a sua vida ao bijinga
(pintura de mulheres atraentes, gênero de pintura que remonta a
ukiyo-e da Era Edo), nasceu em Quioto no ano de 1875. Seu pai faleceu
dois meses antes de seu nascimento. Assim, ela foi criada pela mãe,
que manteve a viuvez e criou as duas filhas administrando a casa de chá
herdada do falecido marido. Sua mãe era uma mulher de idéias
avançadas para a época, permitindo à filha que estudasse
pintura, mesmo contra a vontade dos parentes. Graças a essa mãe,
que reconheceu o talento da filha, sempre interessada pela pintura, é
que Shôen pôde desenvolver o seu dom como pintora.
Amadurecimento
Em 1887, ela
ingressou na escola de pintura em Quioto, iniciando o seu aprendizado
com o mestre Suzuki Shônen, um reconhecido pintor que teve grande
influência na vida de Shôen, tanto como artista quanto como
mulher. Ela teve um filho com ele no ano de 1902: o também renomado
pintor Uemura Shôkô.
Shôen
teve o seu talento reconhecido desde cedo. Em 1890, aos 15 anos, participou
de um grande concurso realizado em Tóquio e sua obra foi escolhida
a melhor do evento. O quadro que conquistou esse título, intitulado
Shiki bijinzu (Traços do charme sazonal), ganhou grande destaque
nas páginas dos jornais ao ser comprado por um nobre da realeza
inglesa.
Três
anos depois, ela participou da Exposição de Artes na cidade
de Chicago e conquistou o segundo lugar, consolidando definitivamente
seu espaço como pintora.
Novo
MESTRE
Em 1893, aconselhada
por seu mestre Shônen, ela se tornou discípula de Kôno
Bairei, de quem recebeu grande influência, embora o seu período
de aprendizado com Bairei tenha sido menos de dois anos até o seu
falecimento. Suas obras passam a ter traços mais suaves e delicados.
Após a morte de Bairei, ela teve como mestre Takeuchi Seihô,
um dos discípulos de Bairei.
Shôen
viveu para a pintura e foi compensada por sua dedicação
com vários prêmios e reconhecimento público. Ela foi
primeira mulher a ser agraciada com o Bunka Kunshô (Ordem
de Mérito Civil).
Em 1949, pouco
antes de falecer, aos 74 anos, expôs sua última obra, Shoka
no yû (Entardecer de verão), na Exposição de
Mestres da Pintura Contemporânea de Matsuzaka-ya. Sua última
obra retrata uma mulher com quimono em tom azul e mostra a elegância
que sempre acompanhou a sua obra, notando a força e a vibração
da alegria em passar para o seu trabalho todo o prazer e o talento pela
arte que a acompanhou por toda a sua vida.
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