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(Ilustração:
Claudio Seto)
O Japão
conheceu muitas imperatrizes. No passado, muitas vezes, o país
foi governado por mulheres sábias e capazes, enquanto na China,
país vizinho, houve apenas uma mulher que liderou o país,
chamada Sokuten Bukô (624~705). Ela fundou a Dinastia Chou, tornando-se
imperatriz (690~705). Apesar de seu caráter irascível, sua
época foi marcada por prosperidade nunca vista na história
da China. Nesse tempo, o Japão foi governado pelo imperador Tenmu,
a imperatriz Jitô e o imperador Monmu. O Japão sempre se
mirou na China, seu gigantesco vizinho, mas, tratando-se de valorização
da mulher, os japoneses tinham mentes mais abertas que os chineses. Aliás,
nos primórdios, o sol que ilumina o universo era representado por
uma deusa.
História
Na Inglaterra,
há a crença de que o país prospera quando é
governado por uma rainha. Comprovada essa crença, tanto a época
da rainha Elizabeth I (1533~1603) como da rainha Victoria (1819~1901),
foram tempos áureos em que a Inglaterra dominou o mundo. No Japão,
também as épocas governadas por mulheres, ou seja, as Eras
Asuka (592~645), Hakuhô (645~710) e Tenpyô (729~749) tiveram
florescimento cultural esplendoroso.
A imperatriz
Jitô, que governou o Japão entre 690~697, após a morte
do seu marido e tio, o imperador Tenmu, foi uma mulher inteligente e sagaz.
No ano 686,
quando o seu marido faleceu, receando que o príncipe Otsu, filho
de sua irmã, tornasse sucessor do trono, já que o príncipe
era uma figura muito querida por todos e versado na arte de poemas, ela
fez com que Otsu fosse acusado por crime de traição e executado.
Dessa forma, conseguindo afastar o seu principal rival, ela se tornou
regente de seu filho, Kusakabe-no-ôji (662~689) e, após a
morte dele, que sempre teve saúde delicada, conquistou o trono,
aos 43 anos.
Governo
A imperatriz
Jitô seguiu a linha de governo de seu marido, o imperador Tenmu,
com o poder centralizado, estabelecendo a constituição Ritsuryô.
Pelas leis de Ritsuryô, o povo tinha a obrigatoriedade de se registrar
em koseki (registro civil), renovado de seis em seis anos, fazendo com
que a população fosse controlada pelo poder central, e não
mais pelos clãs locais.
Além
de sedimentar o domínio de todas as terras e do povo pelo governo
central, comandado pela corte Yamato, a imperatriz Jitô dedicou-se
à construção do Palácio Fujiwara (província
de Nara), que foi concluído em 694 e abrigou três gerações
de imperadores.
Ela foi uma
mulher de fibra, que lutou ao lado do marido durante a Revolta de Jinshin
(672), da qual seu marido saiu vencedor na briga pela sucessão
ao trono. Apesar de ser uma mulher determinada e de caráter muito
forte, a imperatriz Jitô também era sensível e possuidora
de talento literário, observado no poema de sua autoria que consta
na famosa antologia Manyôshu.
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