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(Ilustração:
Claudio Seto)
No início,
um trágico acidente
Noguchi Hideyo
nasceu na cidade de Inawashiro-machi, província de Fukushima, como
filho mais velho de um agricultor extremamente pobre. Quando tinha 1 ano
e meio de idade, caiu no danro, espécie de lareira da casa, e sofreu
uma grave queimadura em sua mão esquerda, ficando com todos os
dedos da mão grudados. Por causa disso, sua mãe sentiu que
ele não poderia ser agricultor e que a saída seria fazer
com que ele seguisse o caminho do saber.
Assim, com
muito esforço, fez com que o menino freqüentasse a escola
primária. Como tinha notas excelentes, Noguchi obteve a ajuda dos
professores para ingressar em estudos mais avançados. Aos 16 anos,
passou por uma cirurgia na mão esquerda. Desde então, passou
a idealizar o sonho de ser médico. Mesmo sem ter freqüentado
faculdade de medicina, aos 20 anos, foi aprovado para exercer atividades
médicas. No entanto, devido às dificuldades da mão
esquerda, Noguchi foi trabalhar como auxiliar no laboratório de
pesquisa de doenças contagiosas de Kitazato Shibazaburo, o que
o fez seguir o caminho de pesquisador de bactérias.
Aos 25 anos,
quando da visita ao Japão do dr. Freskner, professor da Universidade
de Pensilvania, Noguchi atuou como intérprete e convidado a trabalhar
como auxiliar do professor. Ele pesquisou sobre cobras venenosas; e, após
estudar em Dinamarca, onde realizou pesquisas sobre soro, em 1904, foi
contratado para trabalhar no laboratório de medicina Rockfeller.
Em 1907, recebeu, da Universidade de Pensilvania, o título honorífico
de Master of Science. Em 1911, obteve sucesso na cultura pura da espiroqueta
de sífilis.
No mesmo ano,
Noguchi casou-se com Mary Darges. Em 1914, obteve o título de doutor
pela Universidade Imperial de Tóquio. Regressou ao país
em 1915. Em 1918, foi a Equador, e, em 1923, veio ao Brasil. Em 1927,
foi para Acra, oeste africano, para pesquisar a febre amarela. Em 1928,
ele foi contagiado e morreu naquele país. No seu sepulcro, em Nova
Iorque, está gravada a seguinte frase: Through devotion to
science, he lived and died for humanity (Pela devoção
à ciência, ele viveu e morreu pela humanidade).
Três
vezes candidato ao Prêmio Nobel
Hideyo foi
candidato ao Prêmio Nobel em 1914, 1915 e 1920, mas não chegou
a ganhá-lo. Isto se deve ao fato de que o prêmio é
de cunho puramente científico e existe uma cláusula que
o condiciona a um feito que influencie o desenvolvimento da pesquisa posterior
e, no campo médico, ele é concedido a obras que tenham valor
real e que venham a salvar a humanidade. A pesquisa de Hideyo era mais
aprofundada, e não apenas teoria: ele descobriu bactérias
patogênicas com técnicas específicas, o que fez com
que ele fosse chamado de o último pesquisador artesanal.
Mesmo as suas
pesquisas sobre cães hidrofóbicos ou poliomielite não
geraram resultados práticos. A era em que ele viveu foi de transição
entre os estudos bacteriológicos e os estudos sobre vírus.
Hoje, dizem que dentre as 200 teses que ele redigiu, poucas têm
um valor reconhecido. É digno de reconhecimento o fato de dirigir-se
a localidades do mundo todo, onde havia proliferação de
doenças transmissíveis, estando em contato direto contagiados,
ciente do risco de ele próprio poderia contrair o mal. Na cédula
de ¥ 1 mil utilizada atualmente no Japão, há a sua imagem
estampada.
Hideyo e
o Brasil
Em 1921, Noguchi
Hideyo chegou a Salvador, na Bahia, onde havia uma epidemia de febre amarela.
Lá, iniciou a pesquisa de vacinas, soros e elemento patogênico
no laboratório da faculdade local, onde, há um retrato seu
junto aos pesquisadores. Em Campinas, na praça Hideyo Noguchi,
há um busto de bronze que foi enviado por sua província
natal, Fukushima.
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