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Caderno Personalidades do Japão

Ano: 1876~1928
Noguchi Hideyo
Filho de agricultores, ele dedicou sua vida às pesquisas e às descobertas na área da Medicina

(Ilustração: Claudio Seto)

No início, um trágico acidente

Noguchi Hideyo nasceu na cidade de Inawashiro-machi, província de Fukushima, como filho mais velho de um agricultor extremamente pobre. Quando tinha 1 ano e meio de idade, caiu no danro, espécie de lareira da casa, e sofreu uma grave queimadura em sua mão esquerda, ficando com todos os dedos da mão grudados. Por causa disso, sua mãe sentiu que ele não poderia ser agricultor e que a saída seria fazer com que ele seguisse o caminho do saber.

Assim, com muito esforço, fez com que o menino freqüentasse a escola primária. Como tinha notas excelentes, Noguchi obteve a ajuda dos professores para ingressar em estudos mais avançados. Aos 16 anos, passou por uma cirurgia na mão esquerda. Desde então, passou a idealizar o sonho de ser médico. Mesmo sem ter freqüentado faculdade de medicina, aos 20 anos, foi aprovado para exercer atividades médicas. No entanto, devido às dificuldades da mão esquerda, Noguchi foi trabalhar como auxiliar no laboratório de pesquisa de doenças contagiosas de Kitazato Shibazaburo, o que o fez seguir o caminho de pesquisador de bactérias.

Aos 25 anos, quando da visita ao Japão do dr. Freskner, professor da Universidade de Pensilvania, Noguchi atuou como intérprete e convidado a trabalhar como auxiliar do professor. Ele pesquisou sobre cobras venenosas; e, após estudar em Dinamarca, onde realizou pesquisas sobre soro, em 1904, foi contratado para trabalhar no laboratório de medicina Rockfeller. Em 1907, recebeu, da Universidade de Pensilvania, o título honorífico de Master of Science. Em 1911, obteve sucesso na cultura pura da espiroqueta de sífilis.

No mesmo ano, Noguchi casou-se com Mary Darges. Em 1914, obteve o título de doutor pela Universidade Imperial de Tóquio. Regressou ao país em 1915. Em 1918, foi a Equador, e, em 1923, veio ao Brasil. Em 1927, foi para Acra, oeste africano, para pesquisar a febre amarela. Em 1928, ele foi contagiado e morreu naquele país. No seu sepulcro, em Nova Iorque, está gravada a seguinte frase: “Through devotion to science, he lived and died for humanity” (Pela devoção à ciência, ele viveu e morreu pela humanidade).

Três vezes candidato ao Prêmio Nobel

Hideyo foi candidato ao Prêmio Nobel em 1914, 1915 e 1920, mas não chegou a ganhá-lo. Isto se deve ao fato de que o prêmio é de cunho puramente científico e existe uma cláusula que o condiciona a um feito que influencie o desenvolvimento da pesquisa posterior e, no campo médico, ele é concedido a obras que tenham valor real e que venham a salvar a humanidade. A pesquisa de Hideyo era mais aprofundada, e não apenas teoria: ele descobriu bactérias patogênicas com técnicas específicas, o que fez com que ele fosse chamado de o último pesquisador artesanal.

Mesmo as suas pesquisas sobre cães hidrofóbicos ou poliomielite não geraram resultados práticos. A era em que ele viveu foi de transição entre os estudos bacteriológicos e os estudos sobre vírus. Hoje, dizem que dentre as 200 teses que ele redigiu, poucas têm um valor reconhecido. É digno de reconhecimento o fato de dirigir-se a localidades do mundo todo, onde havia proliferação de doenças transmissíveis, estando em contato direto contagiados, ciente do risco de ele próprio poderia contrair o mal. Na cédula de ¥ 1 mil utilizada atualmente no Japão, há a sua imagem estampada.

Hideyo e o Brasil

Em 1921, Noguchi Hideyo chegou a Salvador, na Bahia, onde havia uma epidemia de febre amarela. Lá, iniciou a pesquisa de vacinas, soros e elemento patogênico no laboratório da faculdade local, onde, há um retrato seu junto aos pesquisadores. Em Campinas, na praça Hideyo Noguchi, há um busto de bronze que foi enviado por sua província natal, Fukushima.

 
Palavras de Hideyo
"Se não alcançar o meu ideal, não voltarei a pisar nestas terras"
Hideyo partiu para Estados Unidos aos 24 anos e morreu aos 51 anos. Neste espaço de tempo, regressou ao país apenas uma vez.

"Choramingar e perder as esperanças só serve para impedir o próprio sucesso e perturbar a tranqüilidade espiritual".
"Tornar-me importante é a minha vingança."
Ele guardava rancor contra o Japão, cuja sociedade prezava currículos. Sua qualidades enumeradas pelo prof. Freskner: espírito transparente e habilidade técnica descomunal.

* Esta página foi produzida pelas professoras Akiko Kurihara, Hiroko Nishizawa e Kurenai Nagahama. Tradução: Akiko Kurihara, Clara Kazuko Sakai e Arísia Noguchi.

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