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(Ilustração:
Claudio Seto)
Últimamente,
está consolidada em termos mundiais a atuação dos
mecenas, com grandes empresas que, em troca de isenção tributária,
apóiam a atividade artística popular. No Brasil, também
existem leis como a Rouanet, mas o empresário que deu o primeiro
exemplo nesse sentido, ainda na Era Meiji, foi Ohara Magosaburo.
Grande proprietário
do município de Kurashiki, província de Okayama, Magosaburo
nasceu numa família agricultora de grande porte, que possuía,
em seu nascimento, 500 hectares onde trabalhavam 2,5 mil agricultores.
Nasceu como o quarto filho varão de Ohara Koshiro, que administrava
a tecelagem Kurashiki (conhecida como Kurabou). Em 1897, ingressou na
escola de especialização de Tóquio (atual Universidade
de Waseda), mas levou uma vida muito dissoluta, contraindo uma dívida
correspondente, nos valores atuais, a ¥ 100 milhões, sendo,
em 1901, chamado de volta à sua terra natal.
No mesmo período,
conheceu Ishii Juji (18651914), que fundou o primeiro orfanato do
Japão na província de Okayama, e, sensibilizado, iniciou
os apoios sociais. Após ingressar na Kurabou e verificar que os
operários nem sequer tinham os primeiros anos de estudo, resolveu
instalar uma escola primária no interior da fábrica. Instituiu
o sistema de bolsa de estudo para os que desejavam estudar, mas estavam
impossibilitados pela dificuldade financeira, montou escolas comerciais,
onde se podia estudar e trabalhar simultaneamente, empenhando-se para
a melhoria do ambiente de trabalho dos operários, construindo um
refeitório moderno e alojamentos que refletiam a sua preocupação
com a saúde, inclusive com a instalação de creches.
Houve momentos em que os acionistas discordaram de sua postura, quando,
após a Guerra Russo-Japonesa (1904 e 1905), converteu o lucro auferido
para fins sociais, como apoio aos orfanatos, em socorro às crianças
órfãs. Magosaburo defendia sua postura dizendo que o lucro
é todo de Deus; portanto, deveria ser também utilizado em
benefício da sociedade.
Também
em 1914, fundou o Centro de Pesquisa Agrícola (atual Universidade
de Okayama) e, em 1919, o Centro de Estudos de Questões Sociais
(continua a existir como parte da atual Universidade de Hosei), que se
tornou, posteriormente, o centro da doutrina econômica Marxista,
razão pela qual foi vigiado pela polícia especial durante
a guerra, com suspeitas recaindo também sobre Magosaburo. Em 1921,
fundou o Centro de Estudos Trabalhistas (Atual Center for Occupational
Health and Environment) e, em 1923, na grande epidemia de gripe, construiu
o Hospital Central de Kurabou (atual Hospital Central de Kurashiki), onde
havia estruturas modernas, como elevadores, iluminação nos
quartos e até piscina no alojamento de médicos e enfermeiras.
Magosaburo
fundou também a Chugoku Suiryoku Denki Gaisha (atual Chugoku Denryoku),
uma empresa de fornecimento de energia que transformava em energia elétrica
a energia hidráulica gerada pelo vapor da fábrica Kurabou.
Além disso, atuou como presidente na organização
que antecedeu ao atual Banco Chugoku Ginko e, assim, foi também
um líder do mundo econômico. Ohara Magosaburo faleceu aos
62 anos, depois de apoiar muitos projetos sociais.
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Kojima Torajiro
(18931962), pintor de estilo ocidental que por três vezes
estudou em Paris, desejoso de apresentar a pintura ocidental aos japoneses,
sugeriu a Ohara colecionar obras de arte. Foi, então, fundado o
primeiro museu particular de artes ocidentais no Japão, em 1930,
reunindo obras produzidas entre o antigo Egito até a era moderna,
principalmente de artistas da segunda fase do Impressionismo, como El
Greco, Matisse, Monet, Van Gogh e Renoir.
O museu expõe
não só artes ocidentais, como também artes japonesas
e artesanato. Realiza cursos de desenho e música para crianças,
estudantes e população em geral, inclusive on-line. Existem
diversas teses sobre o porquê da bomba atômica ter sido lançada
em Hiroshima, ao invés de Kurashiki.
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