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Caderno Personalidades do Japão

Ano: 1851 ~ 1913
Ogino Ginko: A primeira médica da era moderna
Ela conseguiu abrir portas para as mulheres na medicina e em outras áreas, além de participar de vários movimentos feministas

Ogino Ginko: medicina e luta pelos direitos das mulheres

(Ilustração: Claudio Seto)

A carreira

Nascida em uma família de prestígio da província de Saitama (com funções similares às de um chefe de aldeia, Ginko possuía permissão para usar sobrenome e portar espada), na segunda metade da Era Edo. Ginko era dada a estudos desde a infância, assimilando-os melhor que seus irmãos varões, e também dominou estudos clássicos japoneses e sinologia. Casou-se aos 18 anos e contraiu do marido uma doença venérea. Por ter se sentido embaraçada nas consultas, nas quais era examinada por médicos (homens), conscientizou-se da necessidade da atuação de médicas e, assim, decidiu seguir essa carreira.

Divorciou-se aos 20 anos e, aos 24, ingressou na Escola Normal Feminina de Tóquio (após a guerra, passou a denominar-se Universidade Feminina Ochanomizu). Após concluir o curso, estudou em faculdade de medicina particular, formando-se em 1882, aos 32 anos de idade, com notáveis resultados. Em seguida, inscreveu-se no exame nacional por diversas vezes, mas, pelo fato de ser mulher, foi indeferida.

As pessoas que reconheceram a excelência do seu conhecimento e não estavam dispostas a vê-la desperdiçado o seu talento encontraram, entre documentos históricos, provas de que ela não seria a primeira profissional médica feminina do Japão e foram negociar com o Ministério da Administração Interna (responsável por assuntos regionais, polícia, construção civil, saúde e higiene, entre outros), o que lhe permitiu prestar o exame em 1884, obtendo aprovação. Na ocasião, quatro mulheres prestaram o exame, mas a única aprovada foi Ginko. Após obter o credenciamento, em 1885, ela abriu a Clínica Ginecológica e Obstétrica Ogino, em Hongo, Tóquio, aos 35 anos. Teria, então, a sua clínica alcançado grande prestígio na área de ginecologia e obstetrícia.

Seu trabalho como militante do movimento feminista

Em dezembro de 1886, Ogino assumiu o cargo de Diretora do Departamento de Moral Pública na Associação Kyofukai (ONG que atua até os dias de hoje para a proteção dos direitos fundamentais de mulheres e crianças e para a implementação da legislação sobre a proibição da prostituição), fundada em Tóquio por mulheres cristãs, e passou a dedicar-se ao direito de participação da mulher na política, à elevação social da mulher, ao movimento contra o uso de fumo e de bebidas alcoólicas, ao movimento de reciclagem de produtos usados, etc.

Em 1890, por ocasião da abertura do Congresso Nacional, ao saber que não seria permitido às mulheres assistir às sessões, a referida associação tomou a frente de um movimento para que as mulheres também fossem aceitas e obteve sucesso. Além disso, fundou a Associação de Higiene Feminina e editou o informativo Revista da Associação de Higiene Feminina, contribuindo, assim, para a elevação e a divulgação do conhecimento das mulheres acerca da higiene pública.

 
Abertura de clínica em Hokkaido
Em 1886, Ginko recebeu o batismo e, em 1890, aos 40 anos, casou-se em segundas núpcias com Shikata Yukiyoshi, 13 anos mais jovem. Em 1896, acompanhando o marido no trabalho de evangelização, mudou-se para Hokkaido, onde abriu uma clínica, mas, pela cultura local, diferentemente de Tóquio, as pessoas não depositaram confiança na medicina praticada por uma mulher, razão pela qual não ela prosperou. Entretanto, por outro lado, Ogino desenvolveu um importante trabalho de elevação da consciência social da mulher, difundiu a higiene pública e divulgou os males causados pela bebida e o fumo, objetivado pela Associação Kyofuukai. Após a morte do seu marido, em 1905, retornou a Tóquio, onde abriu uma clínica, e faleceu em 1913, aos 62 anos. O seu mérito é grande por ter aberto as portas para mulheres que pretendiam contribuir com a medicina. Segundo pesquisas recentes, o número de médicos no Japão era de 262.687 em 2002, o que daria em torno de 206 médicos para cada cem mil habitantes. Dentre eles, as mulheres constituem 14%, o que equivale a pouco menos de 35 mil médicas, mas a tendência é aumentar cada vez mais. Não só na medicina, mas em todas as áreas, a atuação feminina é bastante promissora.

* Esta página foi produzida pelas professoras Akiko Kurihara, Hiroko Nishizawa e Kurenai Nagahama. Tradução: Akiko Kurihara, Clara Kazuko Sakai e Arísia Noguchi.

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