
Ogino Ginko:
medicina e luta pelos direitos das mulheres
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(Ilustração:
Claudio Seto)
A carreira
Nascida em
uma família de prestígio da província de Saitama
(com funções similares às de um chefe de aldeia,
Ginko possuía permissão para usar sobrenome e portar espada),
na segunda metade da Era Edo. Ginko era dada a estudos desde a infância,
assimilando-os melhor que seus irmãos varões, e também
dominou estudos clássicos japoneses e sinologia. Casou-se aos 18
anos e contraiu do marido uma doença venérea. Por ter se
sentido embaraçada nas consultas, nas quais era examinada por médicos
(homens), conscientizou-se da necessidade da atuação de
médicas e, assim, decidiu seguir essa carreira.
Divorciou-se
aos 20 anos e, aos 24, ingressou na Escola Normal Feminina de Tóquio
(após a guerra, passou a denominar-se Universidade Feminina Ochanomizu).
Após concluir o curso, estudou em faculdade de medicina particular,
formando-se em 1882, aos 32 anos de idade, com notáveis resultados.
Em seguida, inscreveu-se no exame nacional por diversas vezes, mas, pelo
fato de ser mulher, foi indeferida.
As pessoas
que reconheceram a excelência do seu conhecimento e não estavam
dispostas a vê-la desperdiçado o seu talento encontraram,
entre documentos históricos, provas de que ela não seria
a primeira profissional médica feminina do Japão e foram
negociar com o Ministério da Administração Interna
(responsável por assuntos regionais, polícia, construção
civil, saúde e higiene, entre outros), o que lhe permitiu prestar
o exame em 1884, obtendo aprovação. Na ocasião, quatro
mulheres prestaram o exame, mas a única aprovada foi Ginko. Após
obter o credenciamento, em 1885, ela abriu a Clínica Ginecológica
e Obstétrica Ogino, em Hongo, Tóquio, aos 35 anos. Teria,
então, a sua clínica alcançado grande prestígio
na área de ginecologia e obstetrícia.
Seu trabalho
como militante do movimento feminista
Em dezembro
de 1886, Ogino assumiu o cargo de Diretora do Departamento de Moral Pública
na Associação Kyofukai (ONG que atua até os dias
de hoje para a proteção dos direitos fundamentais de mulheres
e crianças e para a implementação da legislação
sobre a proibição da prostituição), fundada
em Tóquio por mulheres cristãs, e passou a dedicar-se ao
direito de participação da mulher na política, à
elevação social da mulher, ao movimento contra o uso de
fumo e de bebidas alcoólicas, ao movimento de reciclagem de produtos
usados, etc.
Em 1890, por
ocasião da abertura do Congresso Nacional, ao saber que não
seria permitido às mulheres assistir às sessões,
a referida associação tomou a frente de um movimento para
que as mulheres também fossem aceitas e obteve sucesso. Além
disso, fundou a Associação de Higiene Feminina e editou
o informativo Revista da Associação de Higiene Feminina,
contribuindo, assim, para a elevação e a divulgação
do conhecimento das mulheres acerca da higiene pública.
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| Em 1886, Ginko
recebeu o batismo e, em 1890, aos 40 anos, casou-se em segundas núpcias
com Shikata Yukiyoshi, 13 anos mais jovem. Em 1896, acompanhando o marido
no trabalho de evangelização, mudou-se para Hokkaido, onde
abriu uma clínica, mas, pela cultura local, diferentemente de Tóquio,
as pessoas não depositaram confiança na medicina praticada
por uma mulher, razão pela qual não ela prosperou. Entretanto,
por outro lado, Ogino desenvolveu um importante trabalho de elevação
da consciência social da mulher, difundiu a higiene pública
e divulgou os males causados pela bebida e o fumo, objetivado pela Associação
Kyofuukai. Após a morte do seu marido, em 1905, retornou a Tóquio,
onde abriu uma clínica, e faleceu em 1913, aos 62 anos. O seu mérito
é grande por ter aberto as portas para mulheres que pretendiam contribuir
com a medicina. Segundo pesquisas recentes, o número de médicos
no Japão era de 262.687 em 2002, o que daria em torno de 206 médicos
para cada cem mil habitantes. Dentre eles, as mulheres constituem 14%, o
que equivale a pouco menos de 35 mil médicas, mas a tendência
é aumentar cada vez mais. Não só na medicina, mas em
todas as áreas, a atuação feminina é bastante
promissora. |