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Visita do príncipe herdeiro Naruhito, no mês de junho, foi o ponto alto das comemorações do centenário no Brasil: visita rápida, mas marcante

ESPECIAL
2008, um ano para entrar
na História Brasil-Japão

Dois mil e oito chega ao fim. Mesmo em tempos de crise mundial, Brasil e Japão nunca estiveram tão próximos como neste ano. Desde 2004, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então primeiro-ministro Junichiro Koizumi assinaram o acordo para que 2008 fosse o Ano do Intercâmbio Brasil-Japão, já se previa um cenário bastante favorável entre as duas nações.

O Nippo-Brasil traz, nesta edição, especial apresentando, em breves páginas, as principais festividades e cerimônias que marcaram a passagem do primeiro centenário da chegada dos imigrantes japoneses ao País. A data, como dizem as autoridades, abriu uma nova fase na diplomacia e no intercâmbio entre os dois países.

COMUNIDADE
Deputados defendem ajuda do governo aos dekasseguis

Entra ano, sai ano, e a história se repete. Nos próximos dias, um grande contingente de brasileiros desembarca no País depois de anos de labuta nas linhas de fábricas japonesas. Em 2008, porém, o cenário é ainda mais preocupante. Parte dos dekasseguis que retorna ao Brasil o faz de maneira forçada em função da crise que assolou também a segunda maior economia do mundo.

Nas últimas semanas, o próprio NB retratou o drama de brasileiros que estão vivendo nas ruas, igrejas e praças de cidades japonesas vitimados pela crise. Diante deste cenário, começam a surgir no Brasil movimentos de apoio aos brasileiros no Japão. Há duas semanas, o deputado federal Vander Loubet, do PT do Mato Grosso do Sul, usou o microfone para fazer um discurso no Plenário da Câmara convocando companheiros da Casa e o governo federal a unirem forças para ajudar os dekasseguis.

COUMUNIDADE
Crise cria rumo incerto
para os dekasseguis em 2009

O pedido de socorro feito no início de dezembro pelo presidente de uma das maiores montadoras do mundo, a Nissan, pôs em alerta quem ainda não havia sentido na pele os efeitos da maior crise financeira global desde os anos 1930, quando a quebra da Bolsa de Nova York deu início a um dos maiores períodos de recessão da história. As “perdas massivas de emprego” como conseqüência imediata para a indústria automotiva, como previu o executivo Carlos Ghosn ao falar sobre os próximos anos para um dos setores que mais empregam brasileiros no Japão, só oficializou o que a maior parte dos imigrantes já tem sido forçada a enxergar: 2009 será o período mais difícil desde que os primeiros dekasseguis aportaram no país.

Essa não é a primeira e não deve ser a última crise que as fábricas nipônicas enfrentam. Quem emigrou nos anos 80 provavelmente lembra da “bolha econômica” e dos efeitos provocados sobre o mercado de trabalho quando o país desacelerou seu ritmo de expansão, menos de uma década depois, resultando em créditos bancários escassos euma política monetária mais severa.

COMUNIDADE
Mercado doméstico encolhe
e ameaça estabilidade do Japão

Além de sofrer com a queda das exportações para os Estados Unidos no segundo semestre, as montadoras japonesas sentiram em novembro os primeiros efeitos de um mercado consumidor que está acostumado a se prevenir contra os tempos difíceis. No mês passado, a comercialização de automóveis novos no país caiu 27,3% – o pior nível em 39 anos, segundo a Associação de Distribuidores de Veículos do Japão.

Durante as últimas semanas, alguns dos principais fabricantes de veículos japoneses, como Nissan, Mazda, Suzuki, Mitsubishi e Isuzu, anunciaram a dispensa de trabalhadores temporários e a redução da carga horária dos funcionários como forma de cortar gastos na linha de produção. Outra gigante do segmento, a Toyota, tomou uma atitude ainda mais radical: paralisará as atividades de cinco unidades em Hokkaido, a partir do Natal, em caráter provisório.

COMUNIDADE
Comunidade brasileira
no Japão deve diminuir

Com salários acima de ¥ 350 mil na última década, os brasileiros empregados nas fábricas mostravam-se empenhados em manter as máquinas em funcionamento. Horas-extras nunca eram dispensadas, mesmo que isso significasse cargas extenuantes de trabalho. Não é de se estranhar que a migração do Brasil para o Japão tenha ocorrido em saltos. Em 90, eram 56 mil; em 98, 222 mil; e, no ano passado, 317 mil.

No entanto, 2008 deve acabar com um contingente populacional menor, acredita o embaixador Oto Agripino Maia, subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior. O grupo é subordinado ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil. “Isso pode se dever à desaceleração da economia no Japão ou à aceleração da economia brasileira. Em todo caso, há mais de 300 mil compatriotas vivendo no Japão. E um número crescente de pessoas vem tomando a decisão de permanecer no país”, argumenta o representante do governo.

COMUNIDADE
Doação de imóvel de Santos
vai à redação final na Câmara

Tema de uma discussão que já dura mais de seis décadas, a devolução da antiga sede da Associação Japonesa de Santos, confiscada pelo governo brasileiro em 1946, pode estar chegando ao fim. No princípio de dezembro, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou a doação do imóvel, que fica na Rua Paraná, 129, no centro de Santos, à Associação Japonesa.

O relator da comissão, deputado Silvinho Pecciolli (DEM-SP), considerou a proposta constitucional e defendeu sua aprovação. O texto foi aprovado na forma do substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 4476/94, de autoria do então deputado tucano Koyu Iha. Apresentaram votos em separado os deputados Aldo Arantes e Osmar Serraglio.

AGRICULTURA
Arrozeiro nikkei diz que não
sairá da Raposa Serra do Sol

Apesar da decisão favorável de 8 dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) à manutenção contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, os sete grandes produtores de arroz da região estão confiantes de que poderão permanecer no local. O principal argumento deles é que suas propriedades - que juntas somam 25 mil hectares - não estão nos limites da área considerada pertencente aos indígenas. "Não estou nem pensando na possibilidade de sair daqui porque as terras são minhas e tenho como comprovar, com documentos validados inclusive pelo Incra. Além disso, estamos na região de menor densidade demográfica do País. Não há motivo para essa briga de território", diz em entrevista por telefone, Nelson Itikawa, presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima.

Com relação à indenização de R$ 5 milhões oferecida pelo governo federal aos arrozeiros, Itikawa diz que é um valor absurdo, muito aquém da realidade. Na opinião dele, o valor justo pelo conjunto das fazendas é de, ao menos, R$ 100 milhões.

COMUNIDADE
Tratamento de sementes de soja com fungicidas cresce no País

O tratamento de sementes de soja com fungicidas no Brasil vem crescendo a cada safra, partindo de apenas 5% da área de soja semeada com sementes tratadas na safra de 1991/92, até atingir expressivos 100% na safra 2006/07. Segundo informações da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, hoje, essa prática está consolidada em Mato Grosso do Sul e é adotada por 100% dos produtores. “Essa tecnologia não apresenta grandes dificuldades para sua adoção. Além disso, todos os fungicidas encontrados no mercado são eficientes e de baixos custos”, diz o pesquisador Augusto César Pereira Goulart.

Levando-se em conta todos os gastos necessários para a produção da lavoura, o tratamento de sementes com fungicidas é a prática de menor custo, quando comparada com as demais. No caso da soja, o tratamento representa aproximadamente 0,6% do custo total de produção.

ESPECIAL IMÓVEIS
Mercado imobiliário
estará aquecido em 2009

Apesar da crise econômica mundial, o setor de habitação está otimista com relação aos negócios em 2009. Tanto que o Secovi - Sindicato da Habitação de São Paulo, divulgou expectativas otimistas para o próximo ano: venda de 33 mil unidades. Até outubro de 2008, as vendas na capital paulista somaram 29 mil unidades. "Essas unidades que pretendemos comercializar equivalem a vendas na ordem de R$ 10 bilhões impulsionadas pelas vendas dos imóveis sociais para as classes de baixa renda por causa do FGTS. O governo já garantiu que irá aplicar R$ 14 bilhões para financiar a habitação", disse confiante o presidente do Secovi, João Crestana.

Segundo os dirigentes do Secovi, num momento de crise econômica, os imóveis para locação devem voltar com força total como oportunidade de investimento e rendimento seguro, por dois motivos: o aumento de cerca de 6% no valor dos aluguéis e a carência de oferta de imóveis para locação. "Em 2005, o tempo de espera para se alugar um imóvel era de 35 dias. Hoje, é de 11 dias. Além disso, a inadimplência por parte do locatário caiu muito", diz o gerente do Departamento de Economia do Secovi, Roberto Akazawa.

ESPECIAL IMÓVEIS
Novo ou usado: como
comprar um imóvel sem medo

A compra da casa própria é o sonho de muitos. Mas, para que este sonho não vire pesadelo é necessário muita cautela e atenção. Veja as dicas dos técnicos da Fundação Procon-SP, órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do governo de São Paulo. Qualquer que seja a opção é importante, antes de concluir a compra, ir ao local em horários diversos, verificando com os vizinhos se existem inconvenientes, infra-estrutura e serviços, tais como escola, transporte, padaria, supermercados etc.

O consumidor deve, ainda, certificar-se junto à Secretaria Municipal da Habitação, se o imóvel está em área declarada de utilidade pública ou interesse social que, em caso positivo, poderá ser desapropriada; ou se há projeto aprovado por lei registrado no Cartório Imobiliário.

BRASIL NO JAPÃO
Brasileiro
vive embaixo da ponte em Hamamatsu

Cercado por caixas de papelão, sucatas e latas de refrigerante que recolhe nos lixos, o brasileiro Sidival Furuzava Pereira, 36, é mais um produto da crise econômica mundial. Há seis meses, desde que a empreiteira o despejou do apartamento, Sidival vive debaixo de uma ponte no distrito de Minami em Hamamatsu (Shizuoka).

Ele acorda de manhã e, se estiver animado, escova os dentes e lava rosto com a água que recolhe da praça próxima. O preço da sucata caiu muito. Não vale a pena vender as roupas usadas por ¥ 100. Liquidificador, panelas, não têm mercado. O jeito é vender o alumínio das latas de refrigerante, que lhe rendem cerca de ¥ 50 mil mensais, quantia que ele envia para a esposa Severina, o enteado de 16 anos e a filha de 10. “Comida, eu pego restos no lixo. Não compro suco, nem café. Se não fizer assim, não sobra dinheiro para mandar para minha esposa”, resume a vida remediada.

BRASIL NO JAPÃO
Sem-teto unem-se para limpar hotel cedido por empresária

Mais de 50 voluntários e representantes da Associação Sonho e Esperança reuniram-se, na manhã do dia 13 de dezembro, para um mutirão de limpeza no hotel em Okazaki (Aichi) cedido pela japonesa Mutsuyo Fukao. O local estava desativado há mais de três anos e, agora, servirá de moradia temporária para famílias que estão passando por dificuldades.

Os carros chegaram ao hotel lotados de cobertores, roupas, móveis e mantimentos. Apesar da grande quantidade de donativos, Fukao lembra que ainda há muito a ser feito. “Só temos água em dois pontos. Já fiz o levantamento com uma empresa e custará cerca de ¥ 1,5 milhão para arrumar tudo”, explica. Outro problema é a autorização judicial da prefeitura de Okazaki. “Ainda não podemos alojar as famílias legalmente”.

BRASIL NO JAPÃO
Sem emprego,
mas com otimismos

No Natal deste ano, Ezídia de Souza Sanches, 44, de Kani (Gifu), terá um motivo a menos para celebrar. É justamente no dia 25 que o seu aviso prévio irá vencer. “Pensei em retornar ao Brasil, mas, mesmo com a situação difícil, resolvi ficar”, conta ela, dispensada do serviço no final de mês novembro, após sete anos de trabalho. “No Brasil, somente iria esperar a crise passar e não faria nada de útil. Como o restante da minha família continua trabalhando, resolvi ficar. Vou aproveitar esse tempo para ajudar aqueles que precisam”, planeja. Se, até maio, quando termina o seguro-desemprego, ela não conseguir um novo trabalho, aí sim, deverá retornar ao Brasil e aguardar a situação do Japão melhorar.

Há 17 anos no arquipélago, Ezídia nunca havia passado por uma situação como essa. “Já estava preparada. Via os colegas da linha sendo dispensados e só tinha sobrado eu de funcionária de empreiteira.”, lembra a brasileira.

BRASIL NO JAPÃO
Todos no mesmo endereço em Aichi

Muitas famílias brasileiras têm adotado novas medidas para economizar e enfrentar o período da recessão econômica no Japão. Em Hekinan (Aichi), três casais decidiram dividir o mesmo apartamento, com o intuito de reduzir as despesas com aluguel. “Será uma economia de pelo menos ¥ 110 mil para nós”, frisa Koiti Kussuda, 33, dono do apartamento, que, hoje, paga ¥ 58 mil. Ele decidiu disponibilizar aos irmãos os dois quartos desocupados do imóvel onde vive com a esposa, Fabiani.

A primeira a se mudar foi Kassumi Omaki, 20, que levou junto o marido, Jorge Omaki, 31, logo após receber o aviso prévio da fábrica onde trabalha. “Sem serviço e sem funcionários, a empreiteira quer devolver os apartamentos para a imobiliária. Procurar outro imóvel por conta própria e sem trabalho é muito difícil”, lamenta Kassumi.

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